Em nós, assistentes sociais!

Quero iniciar esta reflexão, a partir de uma lembrança profissional, quando, uma colega de trabalho, muito querida, me disse com todas as letras: “eu tenho horror de negro!”.

Assustada, perguntei: “Como? Como atendes os negros que chegam aqui?”; “- É diferente.”.

Hoje, quero responder. Não, não é diferente. O preconceito endurece a empatia, movimenta o rigor nas avaliações, desumaniza o olhar e não garante o direito. Naquele momento, não foram estas as palavras, porque ainda meu entendimento teórico era tênue, mas as vísceras se manifestaram porque minha humanidade e o senso de justiça era aguçado. Hoje, ao trazer este momento, me dou conta de nosso Projeto Ético-Político, ele é uma construção que nasceu da dor, do contato direto com os sem direitos, da fome, das crianças que nos davam às mãos, da violência vista no olho roxo das mulheres, das meninas e meninos abusados sexualmente, dos homossexuais caçados pela sua orientação sexual, dos negros excluídos, das mulheres prostituídas, dos apenados tratados como animais e de tantos outros.

Esta profissão, cotidianamente, nos dá um banho de realidade. Ela é diferente, ela exige posição, ela não permite escolha, porque ela foi forjada na luta de muitos assistentes sociais que sofreram tortura para nos dar direito a voz. Ela é uma profissão que respeita a diversidade, mas não aceita as escolhas pela violação dos direitos. Por isso, nosso Projeto Ético-Político, sustentado pela dor social, nos orienta pela defesa intransigente dos direitos humanos e a luta por uma sociedade justa e igualitária. Ele não é retórica, ele é ação.
Maria da Graça Maurer Gomes Türck

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