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Filmografia Social – O Grande Tambor precisa bater!

Num momento em que se inicia o mês da Consciência Negra e que se elege presidente um racista confesso, nada mais certo que indicarmos uma produção nossa: O GRANDE TAMBOR.

Neste documentário em longa-metragem, denso, forte, há uma jornada que começa contando a história de um instrumento que foi a base do samba considerado gaúcho, mais cadente, mas que foi sumindo a partir da década de 1970 pela massificação cultural e pela “carioquização” do carnaval nacional. A partir disso, vamos retornando no tempo e observando as origens da ocupação do povo negro no território gaúcho – uma violenta narrativa de escravidão e genocídio, com sequestro de sua prática religiosa para consecução de objetivos mercadológicos do ciclo do charque.

O Grande Tambor recupera a ideia de que a Revolução Farroupilha não foi revolução coisa nenhuma e detalha o papel decisivo do infame Duque de Caxias – um herói da horda fascista vitoriosa no último pleito presidencial – no massacre de Porongos, apresentando a carta enviada aos comandantes brancos do batalhão conhecido como Lanceiros Negros.

Uma viagem de desmistificação. Assista atento, aberto a ouvir muita informação e prováveis contrapontos ao que você sempre entendeu como certo.

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: documentário etnográfico
Temática Social: racismo
Público-alvo: gaúchos interessados em sua história, pessoas de outros estados que acreditam que o Rio Grande do Sul é a Europa do Brasil e que aqui não há negros, músicos interessados em percussão, pessoas que gostam de carnaval e samba
Roteiro: 
(o caminho é bem delineado, a jornada vai detrás para frente no tempo e descortina as camadas históricas da contribuição do povo negro na cultura e realidade do Rio Grande do Sul e Brasil, mas pela duração pode ser considerado muito massante)
Dramaturgia: 
(a fotografia não é das melhores, com diferenças entre câmeras e personagens, sem definição de linguagem, o áudio também demandaria melhor tratamento, o filme parece esteticamente não finalizado, mas isso tudo pela opção de se valorizar o conteúdo, que tem uma boa construção emotiva, de momentos de respiro para reflexão e vários ápices catárticos)
Aprofundamento da Questão Social: 
(a razão da existência deste filme é exatamente ser uma obra que aprofunda a questão do racismo na construção histórico-cultural do Rio Grande do Sul, é pleno neste sentido)

Assista ao filme:

Confira todo o material do projeto aqui no site, clique aqui.

Por Gustavo Türck

– Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras

Filmografia Social – Da evolução revolucionária, passando pelo gangsta rap até a ostentação…

Para onde mais vai o hip-hop? Bueno, de onde saiu, passou a ficar fácil de se saber. A série Hip-Hop Evolution, na sua segunda temporada no catálogo Netflix, traça o caminho de um tipo de música que nasce na periferia de Nova Iorque e ganha o mundo, explodindo no cenário pop – não sem antes construir seu lastro como uma expressão de uma camada de população amassada pelo racismo e as políticas de exclusão do sistema capitalista, que gera tanto uma violência interna, entre seus protagonistas, como externa, como uma trilha sonora de manifestações violentas que ocorreram pelos anos 1980/1990.

Pois o hip-hop passa muito rapidamente de uma “brincadeira” em festas do gueto estadunidense para se tornar por mais de 2 décadas na grande expressão da voz de quem está sofrendo com a violência policial diretamente. Uma galera passa a cantar e descrever o seu submundo, faz chegar aos recantos dos Estados Unidos a visão de que são pessoas que podem se comunicar – e com a intenção de responder – sobre os ataques que sistematicamente uma White America (América branca) tenta os impor. Daí surgem grupos como o N.W.A (Niggers With Atitude – Negros Com Atitude), já da costa oeste, straight out of Compton, diretamente saídos de um bairro violento da periferia de Los Angeles, explodindo as mentes e sendo alvos seguidos da “lei” com o grande clássico Fuck tha Police (Foda-se a Polícia). Era como muitos conseguiram responder às agruras concretas do racismo institucional.

O hip-hop também foi responsável por muitas vitórias da liberdade de expressão nos Estados Unidos. Grupos fudamentalistas sempre tentaram ao longo dos tempos calar seus produtores, mas após lutas longas em tribunais, a porta estava aberta para expandir o campo da poesia e do ritmo das ruas – e daí veio a libertinagem, a linguagem chula, a expressividade e agressividade sexual, que objetificava a figura feminina, mas a mantinha protagonista, até o surgimento da ostentação, já com umas 3 décadas de desenvolvimento, as figuras destacadas do hip-hop deixavam de parecerem pastiches de cafetões que se enchiam de correntes e de ouro como uma sátira para virarem exatamente essas pessoas, trocando a crítica social pela ode ao hedonismo sem limites – os negros, enfim, haviam chegado lá. Assista a essa sequência de uma seleção de músicas ano a ano e veja a transformação dos rappers. E para onde se vai agora?

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: documentário
Temática Social: racismo institucional, drogadição, machismo
Público-alvo: pessoas interessadas no multiculturalismo e fãs de hip-hop como uma identidade cultural de um extrato social
Roteiro: 
(delineia muito bem a linha temporal e a localização das expressões do hip-hop, esclarece bem a que estão servindo cada grupo retratado e nos guia a um processo evolucionário que vai explicando com boa dose de detalhes as relações estabelecidas em cada fase e/ou grupos)
Dramaturgia: 
(filmagem padrão de documentário contando com vários inserts de flash back e construção de caracteres artística do estilo hip-hop/grafite)
Aprofundamento da Questão Social: 
(dá para entender muito bem de onde vêm as pessoas e para onde elas estão se encaminhando, quais as relações sociais estabelecidas, o contexto social que estão inseridas e quais seus desdobramentos)

Por Gustavo Türck

– Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras

Filmografia Social – Atypical

Realmente é atípico, mas não deveria ser. E este é o maior mérito do seriado da Netflix (2 temporadas). Não o fato de trazer algo atípico à tona, porque o autismo não é atípico, mas por trazer à tona algo que sempre foi atípico de se falar.

Quem fala descompromissadamente de autismo, com certo conhecimento, sempre vai se lembrar de Rain Man (clique aqui), das atuações gigantescas de Tom Cruise e Dustin Hoffman, das contagens matemáticas do personagem principal e, enfim, da dificuldade de comunicação com o mundo “normal” que o personagem autista tinha.

Um filme que te deixava com pena – um dos piores sentimentos a se ter.

Pois o autismo não é raro, não é como aquele filme o retratou – não somente – e não é absurdo de ser absorvido pela sociedade, como é o que quer dizer o seriado Atypical.

O autismo seria mais um caso de bullying institucionalizado numa sociedade que é feita para desprezar tudo que não seja o padrão global imprimido diariamente nas telas da vida…

É difícil, é complicado, é um desafio aos pais?

Sim, como não?!

Mas não é impossível.

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NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: drama adolescente
Temática Social: autismo
Público-alvo: adolescentes e pais com filhos autistas
Roteiro: 
(segue o padrão de seriados adolescentes estadunidenses, a famosa fórmula high school, mas com tentativas de inserir temáticas controversas nos episódios, no entanto, o final, a lógica, é sempre a mesma: o fim é o conforto relacional)
Dramaturgia: 
(faltou profundidade em todas as atuações)
Aprofundamento da Questão Social: 
(por vezes – até demais -, o seriado vira um pastiche do high school estadunidense, com os clichês famosos de que em 3 anos de vida aquelas pessoas vão definir o resto de suas vidas e que se algo der errado ali, o drama é será infindável e intransponível… affffffff, se eu soubesse disso antes…)

Por Gustavo Türck

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