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Mais que nunca! É necessário ter paciência!!!

Não é muito fácil, mas é preciso, mesmo quando a destruição do país nos sufoca, mesmo quando a violência é banalizada e justificada, mesmo quando a esperança teima em ir embora. É preciso ter paciência para que as máscaras continuem caindo de todos os lados. Dos que tem visibilidade social, dos que detém o poder, das instituições poderosas, dos “fala mansa”, dos trabalhadores sem consciência de coletivo, dos acostumados em conluios, dos que sempre levam vantagens em tudo, dos desportistas, como os gestores dos esportes, os técnicos de futebol, os jogadores endinheirados que ajudam a barbárie e das pessoas comuns, que fazem parte de nosso cotidiano. É necessário ter paciência, mas não ficar na inércia. É necessário ter paciência para separar o joio do trigo, sacudir a poeira, construir novas estratégias e reconstruir esta nação com dignidade, empatia e esperança. Porque aí sim, estaremos reconstruindo nossas vidas e deixando um legado para as próximas gerações. Mas para isto, precisamos deixar a podridão emergir, o cheiro se espraiar para depois, enterrar o lixo!!!


Maria da Graça Maurer Gomes Türck

Bolsonaro representa o quê?

Ele representa o ódio de classe. Não importa a ignorância, a burrice, o racismo, a apologia a qualquer forma de violência. Ele é a voz dos que se escondem através de um discurso de generalidades, contra a corrupção, contra a falta de segurança, contra as políticas de inclusão. Ele tem vez e voto porquê representa o desejo de grupos que defendem o apartheid social, uma sociedade para poucos e a chibata para muitos. Bolsonaro é só a via da barbárie, apoiada pelo capital rentista para destruir a possibilidade de um futuro, consolidado pela humanidade. É possível Bolsonaro? Sim, porque a luta de classes tantas vezes mascarada, se faz presente pelo ódio de classe insano e perverso, fruto da falta de uma consciência crítica que só o conhecimento nós permite.


Maria da Graça Maurer Gomes Türck

Ilustração do destaque: Abacrombie Ink

O sonho de ser Juanita

Juanita é uma mulher que sente-se sufocada entre filhos que exploram, emprego que aprisiona e uma vida medíocre, sem muitas perspectivas. Ela sente, no fundo que existe algo mais para ela em algum lugar. Tomada por um ímpeto de dar inveja a qualquer um que é massacrado pelo sistema, ela parte para uma jornada a fim de se conectar com ela mesma e com uma outra realidade mais digna para si. Não sabe para onde vai, mas vai. Não tem muitos recursos mas, mesmo assim, realiza uma viagem para longe e, como é de se esperar de um filme como este, romântico, os caminhos vão se abrindo e aparecem pessoas e situações que, de fato, a transformam. Com o seu jeito autêntico de ser, se desconstrói, entra em contato com a natureza, conhece rituais ancestrais e encontra o respeito e o amor, porém nada disso se compara ao encontro com ela mesma.

O filme é quase uma fábula pois histórias assim não acontecem, muito menos para uma mulher negra que resolve largar o gheto e aventurar-se sozinha pelas estradas do interior de um país gigante como os Estados Unidos (ou como o Brasil). Porém, é como um sonho, a possibilidade de conseguir colocar-se nesta pele, de quem tem a coragem de libertar-se. Quem nunca quis trocar de vida? Imaginar outras realidades? Desbravar desconhecidos e sair vitoriosa. Porque o papel de uma negra tem que ser sempre sofrido?
O enredo também coloca em evidência essa dicotomia cidade grande x cidade do interior, por um lado a falta de recursos, a violência e de outro a abundância, o calor humano e as forças naturais que reconectam as pessoas com elos originários. Em um ritual indígena Juanita se purifica, no encontro com novos amigos se fortalece para continuar a jornada sozinha por mais um pouco.
Juanita é um filme sobre rompimentos e reencontros, é aquela realidade que vemos longe nós hoje em dia, mas que nos alimenta de fantasias para seguir um pouco mais adiante.

NOSS AVALIAÇÃO:

Gênero: ficção/romance
Temática Social: universo feminino
Público-alvo: mulheres

Roteiro: 
(simples e de fácil leitura com momentos cômicos na medida)
Dramaturgia: 
(filme bem ambientado apesar de romantizar bastante o conteúdo que aborda.)
Aprofundamento da Questão Social: 
(toca muitas questões sociais mas o foco central é a autonomia da personagem pricipal que é uma mulher. Ela que rompe com o papel que lhe foi estabelecido para escrever sua própria história.)

 

Por Têmis Nicolaidis

 

– Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras

Filmografia Social – O Grande Tambor precisa bater!

Num momento em que se inicia o mês da Consciência Negra e que se elege presidente um racista confesso, nada mais certo que indicarmos uma produção nossa: O GRANDE TAMBOR.

Neste documentário em longa-metragem, denso, forte, há uma jornada que começa contando a história de um instrumento que foi a base do samba considerado gaúcho, mais cadente, mas que foi sumindo a partir da década de 1970 pela massificação cultural e pela “carioquização” do carnaval nacional. A partir disso, vamos retornando no tempo e observando as origens da ocupação do povo negro no território gaúcho – uma violenta narrativa de escravidão e genocídio, com sequestro de sua prática religiosa para consecução de objetivos mercadológicos do ciclo do charque.

O Grande Tambor recupera a ideia de que a Revolução Farroupilha não foi revolução coisa nenhuma e detalha o papel decisivo do infame Duque de Caxias – um herói da horda fascista vitoriosa no último pleito presidencial – no massacre de Porongos, apresentando a carta enviada aos comandantes brancos do batalhão conhecido como Lanceiros Negros.

Uma viagem de desmistificação. Assista atento, aberto a ouvir muita informação e prováveis contrapontos ao que você sempre entendeu como certo.

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: documentário etnográfico
Temática Social: racismo
Público-alvo: gaúchos interessados em sua história, pessoas de outros estados que acreditam que o Rio Grande do Sul é a Europa do Brasil e que aqui não há negros, músicos interessados em percussão, pessoas que gostam de carnaval e samba
Roteiro: 
(o caminho é bem delineado, a jornada vai detrás para frente no tempo e descortina as camadas históricas da contribuição do povo negro na cultura e realidade do Rio Grande do Sul e Brasil, mas pela duração pode ser considerado muito massante)
Dramaturgia: 
(a fotografia não é das melhores, com diferenças entre câmeras e personagens, sem definição de linguagem, o áudio também demandaria melhor tratamento, o filme parece esteticamente não finalizado, mas isso tudo pela opção de se valorizar o conteúdo, que tem uma boa construção emotiva, de momentos de respiro para reflexão e vários ápices catárticos)
Aprofundamento da Questão Social: 
(a razão da existência deste filme é exatamente ser uma obra que aprofunda a questão do racismo na construção histórico-cultural do Rio Grande do Sul, é pleno neste sentido)

Assista ao filme:

Confira todo o material do projeto aqui no site, clique aqui.

Por Gustavo Türck

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Filmografia Social – Da evolução revolucionária, passando pelo gangsta rap até a ostentação…

Para onde mais vai o hip-hop? Bueno, de onde saiu, passou a ficar fácil de se saber. A série Hip-Hop Evolution, na sua segunda temporada no catálogo Netflix, traça o caminho de um tipo de música que nasce na periferia de Nova Iorque e ganha o mundo, explodindo no cenário pop – não sem antes construir seu lastro como uma expressão de uma camada de população amassada pelo racismo e as políticas de exclusão do sistema capitalista, que gera tanto uma violência interna, entre seus protagonistas, como externa, como uma trilha sonora de manifestações violentas que ocorreram pelos anos 1980/1990.

Pois o hip-hop passa muito rapidamente de uma “brincadeira” em festas do gueto estadunidense para se tornar por mais de 2 décadas na grande expressão da voz de quem está sofrendo com a violência policial diretamente. Uma galera passa a cantar e descrever o seu submundo, faz chegar aos recantos dos Estados Unidos a visão de que são pessoas que podem se comunicar – e com a intenção de responder – sobre os ataques que sistematicamente uma White America (América branca) tenta os impor. Daí surgem grupos como o N.W.A (Niggers With Atitude – Negros Com Atitude), já da costa oeste, straight out of Compton, diretamente saídos de um bairro violento da periferia de Los Angeles, explodindo as mentes e sendo alvos seguidos da “lei” com o grande clássico Fuck tha Police (Foda-se a Polícia). Era como muitos conseguiram responder às agruras concretas do racismo institucional.

O hip-hop também foi responsável por muitas vitórias da liberdade de expressão nos Estados Unidos. Grupos fudamentalistas sempre tentaram ao longo dos tempos calar seus produtores, mas após lutas longas em tribunais, a porta estava aberta para expandir o campo da poesia e do ritmo das ruas – e daí veio a libertinagem, a linguagem chula, a expressividade e agressividade sexual, que objetificava a figura feminina, mas a mantinha protagonista, até o surgimento da ostentação, já com umas 3 décadas de desenvolvimento, as figuras destacadas do hip-hop deixavam de parecerem pastiches de cafetões que se enchiam de correntes e de ouro como uma sátira para virarem exatamente essas pessoas, trocando a crítica social pela ode ao hedonismo sem limites – os negros, enfim, haviam chegado lá. Assista a essa sequência de uma seleção de músicas ano a ano e veja a transformação dos rappers. E para onde se vai agora?

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: documentário
Temática Social: racismo institucional, drogadição, machismo
Público-alvo: pessoas interessadas no multiculturalismo e fãs de hip-hop como uma identidade cultural de um extrato social
Roteiro: 
(delineia muito bem a linha temporal e a localização das expressões do hip-hop, esclarece bem a que estão servindo cada grupo retratado e nos guia a um processo evolucionário que vai explicando com boa dose de detalhes as relações estabelecidas em cada fase e/ou grupos)
Dramaturgia: 
(filmagem padrão de documentário contando com vários inserts de flash back e construção de caracteres artística do estilo hip-hop/grafite)
Aprofundamento da Questão Social: 
(dá para entender muito bem de onde vêm as pessoas e para onde elas estão se encaminhando, quais as relações sociais estabelecidas, o contexto social que estão inseridas e quais seus desdobramentos)

Por Gustavo Türck

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Filmografia Social – Atypical

Realmente é atípico, mas não deveria ser. E este é o maior mérito do seriado da Netflix (2 temporadas). Não o fato de trazer algo atípico à tona, porque o autismo não é atípico, mas por trazer à tona algo que sempre foi atípico de se falar.

Quem fala descompromissadamente de autismo, com certo conhecimento, sempre vai se lembrar de Rain Man (clique aqui), das atuações gigantescas de Tom Cruise e Dustin Hoffman, das contagens matemáticas do personagem principal e, enfim, da dificuldade de comunicação com o mundo “normal” que o personagem autista tinha.

Um filme que te deixava com pena – um dos piores sentimentos a se ter.

Pois o autismo não é raro, não é como aquele filme o retratou – não somente – e não é absurdo de ser absorvido pela sociedade, como é o que quer dizer o seriado Atypical.

O autismo seria mais um caso de bullying institucionalizado numa sociedade que é feita para desprezar tudo que não seja o padrão global imprimido diariamente nas telas da vida…

É difícil, é complicado, é um desafio aos pais?

Sim, como não?!

Mas não é impossível.

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NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: drama adolescente
Temática Social: autismo
Público-alvo: adolescentes e pais com filhos autistas
Roteiro: 
(segue o padrão de seriados adolescentes estadunidenses, a famosa fórmula high school, mas com tentativas de inserir temáticas controversas nos episódios, no entanto, o final, a lógica, é sempre a mesma: o fim é o conforto relacional)
Dramaturgia: 
(faltou profundidade em todas as atuações)
Aprofundamento da Questão Social: 
(por vezes – até demais -, o seriado vira um pastiche do high school estadunidense, com os clichês famosos de que em 3 anos de vida aquelas pessoas vão definir o resto de suas vidas e que se algo der errado ali, o drama é será infindável e intransponível… affffffff, se eu soubesse disso antes…)

Por Gustavo Türck

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Em nós, assistentes sociais!

Quero iniciar esta reflexão, a partir de uma lembrança profissional, quando, uma colega de trabalho, muito querida, me disse com todas as letras: “eu tenho horror de negro!”.

Assustada, perguntei: “Como? Como atendes os negros que chegam aqui?”; “- É diferente.”.

Hoje, quero responder. Não, não é diferente. O preconceito endurece a empatia, movimenta o rigor nas avaliações, desumaniza o olhar e não garante o direito. Naquele momento, não foram estas as palavras, porque ainda meu entendimento teórico era tênue, mas as vísceras se manifestaram porque minha humanidade e o senso de justiça era aguçado. Hoje, ao trazer este momento, me dou conta de nosso Projeto Ético-Político, ele é uma construção que nasceu da dor, do contato direto com os sem direitos, da fome, das crianças que nos davam às mãos, da violência vista no olho roxo das mulheres, das meninas e meninos abusados sexualmente, dos homossexuais caçados pela sua orientação sexual, dos negros excluídos, das mulheres prostituídas, dos apenados tratados como animais e de tantos outros.

Esta profissão, cotidianamente, nos dá um banho de realidade. Ela é diferente, ela exige posição, ela não permite escolha, porque ela foi forjada na luta de muitos assistentes sociais que sofreram tortura para nos dar direito a voz. Ela é uma profissão que respeita a diversidade, mas não aceita as escolhas pela violação dos direitos. Por isso, nosso Projeto Ético-Político, sustentado pela dor social, nos orienta pela defesa intransigente dos direitos humanos e a luta por uma sociedade justa e igualitária. Ele não é retórica, ele é ação.

Maria da Graça Maurer Gomes Türck

Filmografia Social: Tear down the wall! O grito do Pink Floyd

Pink Floyd The Wall é uma das obras mais interessantes que já assiti. Apesar do resultado ser um desastre na relação entre o diretor Alan Parker e Roger Waters, o cérebro do Pink, a ponto de o diretor desconsiderar por completo seu trabalho, é um grande filme.

Uma viagem pela história do rapaz, Pink (Waters), uma crítica mordaz ao militarismo e ao capitalismo que o alimenta – da infância com a perda do pai, ao condicionamento na educação, à adolescência sem sentido e à adesão a um regime totalitário que parece preencher todos os seus vazios. O fim é melancólico.

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A arte, o ativismo e o posicionamento político são bem presentes e evidentes – e isso também acompanha a obra inteira do Pink Floyd, mas o filme é um grande grito, lançado em 1982 e sobre um período vindo da década de 1940, está mais atual do que nunca. Apesar do discurso direto e claro, há ainda muita mensagem subliminar que pode levar aos mais sensíveis e em estado psicotrópico alterado a epifanias que modificam suas vidas – eu, por exemplo, deletei meu Facebook e nunca mais retornei a esta rede social.

Ainda é importante mencionar que, para quem conhece o album antes do filme, se vai assistir a algo totalmente fidedigno, a sensação é a da materialização em imagens das sensações que se tem ao escutá-lo – para isso acontecer na plenitude, claro, é preciso entender o inglês, mas as animações grotescas também correspondem à sonoridade sensacional do rock progressivo (e progressista!) de Pink Floyd.

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: drama musical
Temática Social: abandono com e sem ruptura de presença, drogadição, totalitarismo
Público-alvo: fãs do Pink Floyd
Roteiro: 
(muito bem executado para seguir o roteiro do próprio album, podemos classificá-lo como uma ópera moderna)
Dramaturgia: 
(uma mistura de clipe musical com filme e com desenhos, atores muito bem em seus papéis e interagindo com desenhos numa época em que a tecnologia era “tosca” para isso, mas pela estética adotada, funcionou muito bem)
Aprofundamento da Questão Social: 
(todos os temas retratados diretamente e com posicionamento bem claro, do abandono do menino ao que resulta de sua vida, constrói uma relação de causa e consequência bem crítica)

Por Gustavo Türck

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